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10/07/2017
Encontrando um sonho: escritora são-tiaguense publica primeiro livro

Nossa cooperativa foi constituída, em ata, no 27 de agosto de 1986. Abriu as portas dez meses mais tarde, no dia 16 de junho de 1987. E é essa a data que comemoramos com matérias especiais. Todas contando trajetórias de homens e mulheres que fizeram a diferença em três décadas de funcionamento da Credi - e inspiram com seus sonhos e vitórias. A Júlia não poderia ficar de fora

Foto: Elisa Coelho / Arte: Aléssio Pires

A história da hoje adolescente Júlia Oliveira mal começou em seus 13 anos de vida. Mas já é possível dizer que a trajetória da são-tiaguense se aproxima e muito de um “conto de fadas”. Afinal, não faltam inspiração, aventuras, reviravoltas e, claro, um final (provisório) feliz. Fada madrinha? Tem, sim, a educadora Silvana Medeiros Mata. Mas não foi a única a apadrinhar e fazer mágica nessa história: além dela, um benfeitor que preferiu não ser identificado tem papel importante nesse enredo.

Mas ao invés de vestidos ou um sapatinho de cristal, Júlia ganhou a realização de um sonho. Tema que pautou a redação de seu próprio livro há cerca de dois anos. E que se torna publicação oficial agora.

 

Procurando um sonho

Foi esse o título escolhido por Júlia para a primeira obra em sua carreira precoce como escritora. Não havia, aliás, um nome mais adequado para o livro, escrito em 2015 quando cursava a 4ª série na Escola Estadual Henrique Pereira Santiago e enfrentava um impasse: despertava, todos os dias, sem fazer ideia do que havia sonhado durante a noite.

O que seria um dilema na cabecinha da estudante se transformou em inspiração e, aos poucos, em uma redação caprichada feita nos intervalos entre aulas ou após terminar as lições de casa. Tudo resultado de um incômodo amenizado por uma prece. “Era ruim, muito ruim. Eu sabia que algo havia passado pela minha cabeça enquanto tinha dormido. Mas não conseguia lembrar. Um dia comecei a rezar. E me deu vontade de escrever. Fiquei imaginando que em outro mundo era possível correr atrás dos sonhos”, explicou Júlia em entrevista ao Boletim Informativo da Credivertentes, em março de 2015.

Já naquela época, dizia querer transformar o talento em profissão e, um dia, ser escritora. Algo que pode começar a acontecer agora, com a publicação de Procurando um sonho. “Conheci a Júlia em um evento escolar e me encantei com a humildade, a determinação e o brilho do que ela escreve. Não podia deixar passar batido aquele momento e decidi ajudar, patrocinando a impressão do livro”, conta um são-tiaguense, que preferiu não se identificar, à nossa Redação.

Ainda não há data oficial para o lançamento da obra, que recebeu trabalho editorial completo. Mas a previsão é de que ocorra nos próximos meses. “Mal posso esperar”, diz a pequena escritora da Terra do Café com Biscoito.

 

Talento

A mãe de Júlia, Juliana Oliveira, credita o talento da herdeira a um dom divino. Mas confessa que passou a gravidez lendo para a menina, quietinha dentro da barriga. Já naquela época, conta, queria incentivar o gosto pela leitura. E deu certo. Apaixonada por livros, Júlia apresentou à mãe os primeiros rascunhos de Procurando um sonho. “De repente ela chegou até mim com aquele bloquinho de papel todo escrito e desenhado, com uma história que nem na minha mais remota imaginação eu conseguiria criar. Fiquei encantada, orgulhosa, e tive certeza de que aquele textinho poderia inspirar outras crianças e até adultos”, relatou também em entrevista no ano de 2015.

 

Enredo

Júlia nunca leu “O Mágico de Oz”, de Lyman Frank Baum; nem “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll. Criou, sozinha, um universo complexo, perigoso e cheio de reviravoltas enfrentados por uma criança obstinada. Como nos dois livros. Ou como ela.

Em Procurando um sonho, um garotinho anônimo que vive “no meio de um vale”, em “uma casa escura, quase vazia” sai em busca da Floresta dos Sonhos, que fica no País das Risadas. Para isso, navega em um pequeno barquinho tendo como guia um Mapa Mágico – todo desenhado por Júlia, aliás. Como ele conseguiu? A gente não conta. “É preciso ler para descobrir”, comenta a educadora Silvana Mata, que chegou a chorar ao ler o projeto da então aluna dois anos atrás e foi uma das incentivadoras para que se transformasse em livro oficialmente. “Hoje tenho orgulho de testemunhar tudo o que está acontecendo. E sei que lá na frente a Júlia vai encontrar sonhos realizados ainda maiores”, encerra.

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