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Especial 30 anos
     

06/06/2017
Jasminor Vivas e Paulo Melo: a união entre perfis distintos e sonhos iguais

Nossa instituição foi constituída, em ata, no 27 de agosto de 1986. Abriu as portas dez meses mais tarde, no dia 16 de junho de 1987. E é essa a data que comemoramos com exatas 30 matérias especiais ao longo deste mês. Todas contando as histórias de homens e mulheres que fizeram a diferença em três décadas de funcionamento da Credi, que segue de portas sempre abertas

Jasminor Vivas (à esq.) e Paulo Melo (à dir.) / Fotos e montagem: Deividson Costa

2015 foi ano de “hexa”. Obviamente, não o “hexa” da Seleção Brasileira, que amargou um placar de 7x1, para a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014. Foi o “hexa” da Credivertentes, que alcançou a 6ª posição entre as maiores cooperativas do Sistema Crediminas.

Feito comemorado efusivamente por todos os colaboradores da instituição, claro. Mas motivo de festa, em especial, para o diretor-executivo do grupo, Jasminor Vivas. Há cerca de dois anos, já era tradição vê-lo levantar um dos braços e bradar “Rumo ao Hexa!” em reuniões da Credi.   

 

Dois perfis, um objetivo

Próximo dele, o vice-presidente do grupo, Paulo Melo, sorria comedido como sinal de concordância. Algo típico para o são-tiaguense que saiu do interior mineiro nos anos 1970 para tentar a sorte em São Paulo. Por lá passou mais de uma década antes de retornar à cidade natal, em 1986, mesmo ano em que a cooperativa era instituída. Em 1990, se associou a ela sem imaginar que pouco depois integraria seu Conselho de Administração. Melo é adepto da ousadia e da persistência em nome de grandes sonhos e possibilidades. Mas tudo de forma estratégica e cautelosa. Algo que se reflete na postura dentro da Credivertentes e em sábias considerações sobre o grupo. “Não temos medo de mudanças ou crises Só temos cuidado com elas”, disse em entrevista à Vertentes Cultural no final de 2013.

E é assim, nesse casamento de personalidades distintas, mas apaixonadas pela mesma filosofia, o cooperativismo, que a Credivertentes, sua comunidade e você ganham. “Dividimos com 15 mil associados a responsabilidade pelos destinos econômicos deles e isso não é fácil. Sou filho, neto e bisneto de fazendeiros. Cresci vendo gente enriquecer e perder tudo rapidamente por fatalidades da vida e falta de gerenciamento. Estamos na contramão disso. Está aí o desafio de todos nós, todos os dias, na cooperativa”, comentou Jasminor em entrevista de 2013. Palavras de quem conhece bem a cooperativa há quase 20 anos.

 

Trajetórias

– Não vai ser fácil. As pessoas ainda não entendem o cooperativismo. E ainda há uma cultura depredatória. Muitos acreditam que o que surge para beneficiar é público em um sentido deturpado. Aquele de usar e abusar. Depredar.

As palavras saíram de um cooperativista nato, Antônio Pinto de Oliveira. O objetivo era alertar o filho, João Pinto de Oliveira, que lançava à terra as sementes de uma cooperativa de crédito. Ao longo dos anos, a profecia de Antônio se consolidou em impasses quase cotidianos da instituição.

Ainda assim, essas situações não minaram uma crença maior. A de fé na coletividade. “O que fazemos aqui, há 30 anos, é apostar na junção de vários pouquinhos para se chegar à seiva, multiplicá-la ao máximo e, aí sim, compartilhá-la”, defende João, presidente do Conselho de Administração da Credivertentes.

Filosofia, aliás, que se sustenta na valorização humana e em histórias de empreendedorismo como a do próprio Paulo Melo, dono de biografia extensa, dessas que rendem horas a fio de boas conversas. De balconista em um armazém em São Tiago a  responsável pela Contabilidade em grandes veículos de imprensa nacionais, ele diz ter aprendido de forma nem sempre tão fácil como se transformar e se reinventar. Enquanto fala, de forma calma, pensando nas palavras, em tom baixo e tranquilo, deixa explícitas características essenciais do perfil sempre descrito como conciliador.

Mas nem sempre foi assim. “Já precisei falar mais alto, discutir, contrapor muita coisa na vida. Tive atritos dos grandes em empregos em capitais. Não sou esse mar de quietude o tempo todo. Só aprendi a dominar um comportamento e outro, ponderar como agir. Se não tivesse aprendido como fazer isso não teria suportado um mês na Credivertentes”, diz.

Jasminor Vivas também dá voz a esse coro. E depois de segundos silenciosos, girando uma caneta entre os dedos e avaliando os anos dedicados à instituição financeira, é incisivo: “Eu planejava passar a aposentadoria deitado na varanda da fazenda. Queria descansar. Mas um tempo depois bateu o tédio. Ser humano é bicho bobo, gosta de ter um motivo pra se cansar (risos)”.

Foi nesse momento que Vivas recebeu o convite para compor a diretoria da Credi. E no mesmo pacote alguns dilemas. “Sabe aquela história do anjinho e do pequeno demônio sussurrando no ouvido da gente? Pois é. Minha cabeça virou uma confusão de vozes desses malditos (risos). No fim, acho que segui ao conselho de ambos. Sabia que o desafio seria imenso, cansativo, pesado. Mas que valeria a pena”, diverte-se.

 

Conexões

“O que vem pela frente”, “amanhã”, “novos dias”, “próximos anos”. Muitos são os termos usados pelos membros da Credivertentes para falar sobre o mesmo tema: futuro. “A nossa trajetória é importante, nos trouxe até aqui. Mas o nosso olhar está sempre focado para frente, para o que temos que caminhar e até onde conseguiremos ir”, reforça Melo.

Mais uma vez, a conexão e o equilíbrio entre os membros da diretoria vêm à tona de forma nítida. Vivas também fala sobre o assunto – sem abrir mão do humor ácido, claro. “Olha... não seremos esses galãs inteirões para sempre (risos). A velhice bate, a vontade de passar a aposentadoria deitadinho na rede do sítio volta, e o tempo cobra que a gente abra espaço para novas pessoas. A história só continua se houver renovação”, defende.

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