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Cooperativismo
     

19/05/2017
Cooperativas de crédito seguem com os juros mais baixos do mercado, mesmo com IOF

Nos cartões de crédito, por exemplo, bancos cobram índices três vezes superiores

A notícia veio no fim de março: com o Decretro n°9.017, o Governo Federal determinou a cobrança de Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) nos empréstimos cedidos por cooperativas de crédito.

Assim, a alíquota que até então era limitada a 0,38% nas operações de crédito passaram a contar com uma cobrança de 0,0082% ao dia para pessoas jurídicas e 0,0041% para pessoas físicas. Ambas com limite de até 3%.

A mudança, porém, não alterou uma característica básica das cooperativas: as vantagens na adesão às suas propostas de crédito em comparação aos mesmos serviços prestados em instituições bancárias tradicionais.

Apesar do fim da nova incidência de IOF no cooperativismo financeiro, dados mensais do Banco Central do Brasil (BCB) seguem destacando que as taxas praticadas por instituições do setor (as únicas em cerca de 565 municípios brasileiros) continuam abaixo da média no mercado. Algo que se explica pela própria filosofia delas, que não visam lucros. “É impossível dizer que essa cobrança vai ter um impacto representativo a ponto de equiparar as cooperativas aos bancos tradicionais no custo final. Além de emprestarem com juros muito abaixo dos praticados no mercado, as cooperativas continuam competitivas também por outros diferenciais, como a devolução das sobras para os associados ao fim de cada exercício, já que nelas não há clientes, mas sócios”, diz o diretor de operações do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), Ênio Meinen.

Algo semelhante destaca o presidente do Conselho de Administração do Sicoob Executivo, Luiz Lesse Moura Santos. Ele lembra que não há aumento de custos com a incisão do IOF, já que o tributo vai direto para a União. “O valor do imposto está equiparado com as demais instituições financeiras, mas como nossas taxas de juros são sempre menores, o associado sempre pagará menos juros em relação aos bancos”, acrescenta.

 

Diferenças

Como exemplos desses números, destacados também pelo Sicoob Empresarial, há os exercidos com relação ao Consignado em Folha. Nesses casos, os juros cobrados pelos bancos partem de 1,85% e 2,32% a.m (correspondendo a 24,60% a.a. e 31,68% a.a.), segundo o BCB. Já nas cooperativas esses valores caem para 1,50% a.m, ou seja, 19,59% a.a.

Diferenças significativas também são percebidas no Cheque Especial. Dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) apontam juro médio de 12,46% a.m. (ou 309,24% a.a.) nas instituições bancárias contra índices a partir de 3,20% a.m. (45,93% a.a.) nas cooperativas.

Por fim, a mesma tendência é verificada com relação aos cartões de crédito. Enquanto no mercado convencional os juros anuais giram em torno de 486%, nas cooperativas eles são três vezes menores e estacionam na faixa de 151,81% a.a.

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