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Cultura & Variedades
     

17/04/2017
O mensageiro misterioso - um encapuzado se arriscou e tentou avisar sobre a prisão de Tiradentes

Personagem inspirou livro de Alair Resende

Vila Rica - atual Ouro Preto - no Século XIX. Personagem misteriosa percorreu ruas do local, pintado por Armand Julien Pallière

Na sexta-feira, 21 de abril, o país celebra o dia de seu Patrono Cívico Nacional, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Nascido na Fazenda do Pombal, localizada em Ritápolis, ele foi morto em 1792 acusado de ter traído a Coroa Portuguesa, a quem o Brasil pertencia.

O motivo: era o líder da Conjuração Mineira, um movimento que visava justamente garantir a independência do território brasileiro. O que contamos até aqui, muita gente conhece dos livros de História ou da tradição oral do Estado. Mas há detalhes desse capítulo que apenas estudiosos apaixonados como Alair Resende, pentaneto de José Resende Costa (outro “inconfidente”), sabem contar.

Um deles o inspirou, após mais de 50 anos de pesquisas e anotações, a lançar um livro, O Embuçado. A obra compõe a Coleção Lageana e reconta, com fatos históricos e ficção, sobre a misteriosa personagem que, encapuzada, tentou alertar companheiros de Tiradentes sobre sua prisão, ajudando-os a fugir.

 

Quem era?    

Em abril de 1792 uma figura vestida com uma capa escura e com o rosto totalmente coberto perambulou pelas ruas de Vila Rica quando todos os moradores já dormiam. Durante a madrugada, vez ou outra ouvia-se batidas em uma das portas. Quem a abria ouvia da misteriosa personagem que a revolta contra a Coroa Portuguesa havia sido descoberta. Punições viriam a partir dali.

Quem deu o alerta? Ninguém sabe. Ainda hoje o misterioso – ou a misteriosa – mensageiro(a) permanece sem identidade revelada. É chamado(a), apenas, de Embuçado –que significa “escondido, disfarçado, dissimulado”.

Ao longo da história muitas foram as especulações buscando um nome para a personagem. Há quem diga, inclusive, que se tratasse de um membro do próprio governo. A teoria de Resende? Só sabe quem lê o livro. Mas ele não esconde, jamais, o fascínio pelo Embuçado e por todo o contexto histórico que o cercava.

“Nas minhas pesquisas tive oportunidade de verificar que havia pelo menos três elementos de informação no movimento liderado por Tiradentes. Um era o Vitoriano Veloso, de Bichinho, um alfaiate analfabeto e negro que foi preso encontrado com uma carta de um inconfidente para outro. Temos ainda a D. Hipólita, de Prados, casada com Antônio de Oliveira Lopes. Ela também escreveu para o marido em Paraopeba dizendo que a revolução havia sido abortada. O mensageiro foi preso. E finalmente temos o Embuçado”, pontua ele, defendendo sempre que chamar a Inconfidência de “Mineira” é um erro de localização.

“A possível revolta foi muito maior do que pudemos imaginar. Havia inconfidentes inclusive em Goiás. Mas imagine só se a Coroa ousaria confessar que a organização chegou a essa envergadura. Foi mais inteligente diminuir a ação e restringi-la a um Estado”, explica.


Mais descobertas de Alair Resende e toda sua trajetória como “bancário, recenseador, rodoviário, ator canastrão, advogado, professor e aspirante a escritor” foi contada na edição número 4 da Revista Vertentes Cultural, que você pode baixar gratuitamente clicando aqui.

 

 

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